segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Trip: planos de expansão e voos mais altos

Durante a última edição da Abav, no Riocentro, a Trip e o Ministério do Turismo anunciaram uma parceria para descontos de 35% nas tarifas para os destinos dentro do programa Viaja Mais Melhor Idade, destinado ao público da terceira idade. Mas os projetos da maior companhia aérea regional do país, e a terceira em número de voos, vão mais longe. O diretor de Marketing e Vendas da Trip, Evaristo Mascarenhas, confirma que até maio a Trip passa a adotar uma nova plataforma de vendas, o Sabre Sony que permitirá acesso ao GDS ampliando assim o processo de comercialização. Também confirma o programa de internacionalização dos voos que depende apenas de autorização da Anac e a chegada de mais dez aeronaves até 2011. No último dia 24 a Trip apresentou sua nova campanha publicitária com o slogan "Tem algo diferente no ar". A ação reforça o posicionamento da empresa, criada há mais de 12 anos que conta com a maior frota de aeronaves regionais do país.

Mercado & Eventos – O que levou a Trip a investir no mercado da terceira idade e qual a expectativa em termos de resultados?
Evaristo Mascarenhas – Percebemos que este era um nicho de mercado com grande potencial por ser um público que tem mais tempo livre e dinheiro para viajar. Já tínhamos ideia de criar um produto para este mercado e observamos que o Ministério do Turismo estava ampliando o programa Viaja Mais Melhor Idade, onde as vendas se restringiam a pacotes ou reservas de hotéis. Faltava oferecer passagens aéreas e daí nasceu esta parceria, já que era um produto que interessava a todos. Nossa expectativa é de que em pouco tempo os passageiros mais idosos possam representar entre 3% a 5% do total de nosso fluxo. Lembro que transportamos perto de 3,5 milhões de passageiros por ano, o que representa um incremento significativo já que no ano passado transportamos 1,9 milhão de passageiros. Atuamente representamos já 11,7% de todos os voos realizados no país.

M&E – Dentro dos planos de expansão existem novos roteiros previstos e chegada de novas aeronaves? Qual a estratégia prevista?
Evaristo Mascarenhas – Sim, vamos incorporar duas novas rotas chegando a 81 com operações para duas novas cidades ainda este mês. Começamos a rota entre Juiz de Fora, Varginha e São Paulo. A outra é a rota interligando Florianópolis e Curitiba a Belo Horizonte e que tem início neste dia 8. Vamos reforçar ainda o nosso hub em Confins já que até o final do ano teremos seis aeronaves chegando ao mesmo tempo no aeroporto Internacional de Belo Horizonte. Também vamos estender este voo de Belo Horizonte posteriormente até Porto Velho, numa ligação direta. Outra rota nos nossos planos que começa em breve é a que interliga Manaus, Belém, Salvador e Belo Horizonte. Lembro que algumas delas são cidades sede da Copa e estamos de olho no crescimento de passageiros. Quanto a nossa frota nós temos atualmente 40 aeronaves e a nossa meta é receber até o próximo ano mais dez chegando a 50 modelos ATR-42, para 45 lugares, o ATR-72 para 68 lugares e o Embraer 175 com 86 lugares e compramos dois Embraer 190 com 108 lugares.

M&E – O Brasil se prepara para receber mega eventos até 2016 como Copa e Olimpíadas. O que a aviação regional pode representar como facilitador de acesso aéreo às cidades de menor porte?Evaristo Mascarenhas – A aviação regional terá um papel fundamental neste processo de acessibilidade aéreo permitindo aos turistas e torcedores se deslocarem de uma cidade para outra. Lembro que a Trip opera hoje a partir do Rio de Janeiro para 58 cidades e isso sem dúvida é um grande facilitador já que muitas destas cidades não são servidas pelas grandes companhias. Creio que seja importante ao governo entender a importância deste segmento e reconheço que o principal gargalo hoje para as regionais está relacionado a infraestrutura dos aeroportos regionais. Atualmente não existem condições para operar em todas as cidades que gostaríamos. A malha aérea regional não passa de 5% e precisamos melhorar as condições de alguns aeroportos que não têm sequer aparelhos de raixo X e outros equipamentos essenciais para operações regulares. A privatização é apenas uma das possibilidades e creio que é importante sim passar a administração destes aeroportos para a esfera federal e não municipal como acontece atualmente. Cabe ao governo decidir o que é melhor, pois se trata de uma questão estratégica para o desenvolvimento regional. Lembro ainda que algumas cidades têm oferecido redução de impostos como forma de incentivo como aconteceu com Minas Gerais, Amazonas e Mato Grosso do Sul. Isso dá mais fôlego para as regionais e facilita a implantação de novas aeronaves.

M&E – As grandes companhias têm operadoras próprias que comercializam pacotes com hospedagem. A Trip pensa também em operar neste segmento? E em relação a novas alianças?Evaristo Mascarenhas – Temos ideia sim já a partir de 2011 passar também a oferecer pacotes de viagens, mas sem abrir mão da intermediação do agente de viagens que é nosso parceiro. Nossa ideia é não ter vendas diretas, mas sim por meio das agências, pois acreditamos que este é o distribuidor dos fornecedores para o mercado e vamos continuar a prestigiar estes profissionais. Quanto a questão das alianças nós já temos um acordo com a Tam que é a nossa parceira e vamos mudar a partir de maio de 2011 nossa plataforma para o Sabre. Isso nos dará acesso acesso ao GDS permitindo a comercialização e acordos de code share de uma maneira mais automática facilitando o bloqueio de assentos.

M&E – E o processo de internacionalização da Trip? Existem planos de operar em cidades de fronteira?
Evaristo Mascarenhas – Este é um processo que depende ainda da autorização da Anac e estamos aguardando apenas a licença para este tipo de operações já a partir de 2011. Creio que o principal benefício para o passageiro não é nem tanto o custo, porém o tempo de viagem. Em alguns casos o passageiro é obrigado a realizar escalas totalmente fora da rota tendo que vir a São Paulo antes, por exemplo, para fazer uma viagem entre Cuiabá e Santa Cruz de La Sierra. A ideia da Trip é interligar cidades de fronteira reduzindo assim o tempo de viagem e ao mesmo tempo permitindo uma redução também no custo da passagem. Dentro do programa de expansão do turismo para a América do Sul e outros destinos este processo será de fundamental importância.

fonte:http://www.mercadoeeventos.com.br/script/FdgDestaqueTemplate.asp?pStrResolucao=1024&pStrLink=2,254,0,65504&IndSeguro=0

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