quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Deputado defende CPI e diz que companhias aéreas "extorquem" consumidores

- Parlamentar diz que empresas aéreas extorquem os consumidores, critica posicionamento do presidente da GOL, Paulo Kakinoff, e diz que companhias como a GOL exercem “pressão psicológica” para aumentar seus ganhos, além de tratar de forma discriminatória regiões como o norte e o nordeste brasileiros.

Em entrevista ao programa “Brasil em Debate” da TV Câmara e Rádio Câmara o deputado federal Júlio César (PSD-PI) defendeu a instalação de uma CPI para investigar as companhias aéreas brasileiras. O parlamentar disse que o requerimento para criação da Comissão já tem a sua assinatura.

O parlamentar defendeu a CPI depois de comentar uma declaração do presidente da GOL, Paulo Kakinoff. Para o empresário, o sistema de venda de passagens existente no país é o que existe em todo o mundo, e que esse mecanismo permite a venda de passagens bem abaixo do preço médio.


- Ex-presidente da Audi Brasil. Agora presidente da GOL. Uma atividade regulada e fiscalizada pelo Estado e de grande demanda e exigência por parte dos consumidores. Portanto, exigências e pressões diferentes. Mesmo assim, Paulo Kakinoff  (Marcos Vieira/S4 PHOTOPRESS) acha que as classes menos abastardas devem aprender a prever o destino para ter acesso a passagens baratas. É preciso que ele explique isso a uma CPI.
“Esse modelo é estabelecido no mundo inteiro e nós oferecemos ao consumidor a possibilidade de encontrar passagens em patamares extremamente acessíveis, desde que compradas com muita antecedência. À medida que a procura cresce e a data se aproxima obviamente as tarifas são reajustadas”, defendeu Kakinoff.

“Extorsão”

Júlio César disse ter consciência de que há a venda de passagens baratas, porém, acredita que essa porcentagem não representa quantidades significativas e que a outra grande porcentagem vendida pelas companhias aéreas são usadas para extorquir o consumidor brasileiro. Além do mais “ninguém pode saber o que vai ocorrer ao longo prazo”, concluiu, ao rebater a ideia de longas programações para se ter acesso a passagens baratas.

“Segundo a ANAC, 16% das passagens vendidas têm preço abaixo de R$ 100,00. Só que 16% é menos do que 25% da ocupação média das aeronaves. Então elas vendem essa porcentagem com passagens abaixo de R$ 100,00 e depois vão extorquir o povo brasileiro com o restante dos mais de 75% de ocupação; não é nem o total utilizado, porque muitas vezes há cadeiras vagas”, lamentou.

O deputado disse ainda que têm dúvidas sobre as porcentagens apresentada pela ANAC, como, por exemplo, a de passagens vendidas abaixo de R$ 100,00. “Eu também não acredito nos números apresentados pela própria ANAC, que dizem que o percentual das passagens caras vendidas no país é menos do que 1%”, acrescenta.

“Pressão Psicológica”

Outro ponto criticado pelo parlamentar diz respeito ao que chamou de “pressão psicológica”, referindo-se à forma como as companhias aéreas vendem suas passagens. “Eles, em alguns períodos do ano, dizem que não tem passagem nenhuma e com isso disponibilizam uma ou duas todo dia, para exercer pressão psicológica, para o consumidor comprar pelo preço que eles determinam, com medo de não haver mais. E isso para quê? Para que as companhias aumentem seus faturamentos, consequentemente, o seu lucro”, denunciou.

- Deputado Júlio César: um crítico voraz das companhias aéreas e defensor convicto da instalação de uma CPI no Congresso Nacional para tratar sobre o tema.
“Isso é uma coisa descabida. Nunca vi na lei de mercado. Não vejo concorrência entre uma e a outra companhia aérea. Elas estão combinadas. Entrou nesta combinação também a AZUL. Tem que ter uma regulagem da ANAC, tem que ter um controle. Eu não confio nos números da ANAC. Eu preciso conferir, porque a realidade é outra”, disse.

“Tratamento Desigual”

Júlio César questionou ainda o tratamento dispensado pelas companhias aéreas para com as diferentes regiões brasileiras. “As passagens mais caras são para os estados mais pobres. Não tem essas passagens com essa distorção toda para São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte. Existe é para o Norte, para o Nordeste. Existe passagem para o Norte no valor de até R$ 7 mil”, voltou a lamentar.

“Que que eles fizeram? Diminuíram os voos para diminuir os assentos e assim diminuir os seus custos. Dessa forma aumentar o aproveitamento da aeronave e consequentemente os ganhos reais do seu faturamento. E em cima de quem? Daqueles que são pobres”, acrescentou.

O deputado disse que sabe porque as companhias aéreas estão fazendo isso. “Porque o sentimento de pobreza é o sentimento de submissão, porque o pobre muitas vezes não tem capacidade e nem condição de reclamar. E é o que eu faço aqui no Congresso Nacional todo o dia. Reclamar com essa discriminação generalizada”, pontuou.

O programa foi exibido pela TV Câmara e Rádio Câmara nesta quarta-feira (12), às 22h30 e nesta quinta-feira, às 7 horas, horário de Brasília. Também participou do debate o deputado João Ananias, do PC do B do Ceará. O parlamentar cearense também não poupou críticas às companhias aéreas e chegou a apresentar uma passagem na qual um único trecho totalizava o valor de R$ 5.200,00, destino Brasília/Fortaleza.


fonte: www.portalaz.com.br

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